domingo, 10 de agosto de 2014

FILHOS DO MEDO


                                        “Em verdade temos medo.
                                   Nascemos escuro.”
(C.D.A.)


Nós somos os filhos do medo.
A noite, por mais que nossa,
Assusta nossos pais, os apavora.

Os disseram que é preciso dormir.
E eles dormem, por medo.
Falaram que é preciso calar.
E de medo eles se paralisaram.

Estáticos e medrosos.
Temem a política, o preto,
O pobre, o bêbado.
O Homem. O Deus.

E nós  filhos do medo   
Nada tememos.
Saímos à noite, entre pretos e brancos,
Junto aos ricos e miseráveis.
Brindamos com homens e mulheres,
Zombamos de Deus. Caçoamos do medo.

Até que a Polícia Medrosa vem nos assustar.
Mas não nos intimidaremos, nem paralisaremos.

Apavorados gritaremos música e dança.
Até que a noite seja clara
E turbulência  seja calma.
Até que o preto seja igual ao branco
E o homem seja a mulher
E o medo seja lembrança
.